mundo pós pandemia

3 coisas para ter em mente em um mundo pós pandemia

Hoje eu quero trazer sobre mudanças pós pandemia. Sim, porque querendo ou não, o mundo agora é outro.

Não dá para a gente falar que a pandemia tem algo de bom, porque é impossível achar algo de bom em meio à uma doença que matou milhares de pessoas no mundo. Essa é a primeira coisa que tenho a dizer. Então não tente ver o lado bom de algo tão negativo, certo? Era só para reforçar mesmo.

Fato é que a pandemia mudou o mundo como a gente conhecia, de todas as formas possíveis. A gente passou a ter mais cuidados do que já tínhamos antes, tivemos que aprender a lidar com uma situação completamente nova e que não temos controle nenhum da melhor forma possível, criamos novo hábitos… Provavelmente isso irá com a gente por um bom tempo, não o vírus em si, mas todos os cuidados que aprendemos a ter. 

E falando de negócios, os mercados mudaram. Todos eles. Nenhum passou ileso de mudanças por essa pandemia. Alguns sofreram mais, outros menos, e ainda que seja difícil saber o que vai ser o “novo normal”, algumas coisas ficaram de aprendizado aí para a gente.

Nem todo mundo precisa estar junto o tempo inteiro.

Eu adoro meu time e adoro estar no escritório. Gosto do ambiente, das conversas e do lanche da tarde que fazemos. Só que se antes a gente já não sentia a necessidade de estarmos todos os dias no escritório (desde 2018 a GamePlan trabalha 3 dias presenciais/2 remotos), depois de mais de cinco meses em casa essa necessidade se tornou ainda menos latente.

Claro que estamos sentindo falta da nossa convivência, mas esse balanço 60% no escritório/ 40% de casa sempre foi bom para o time inteiro. Isso porque estamos falando falando de uma empresa que tem sede em uma área menos popular entre as empresas, a Zona Leste de São Paulo, e as pessoas não precisam enfrentar lotação e outras coisas antes do dia de trabalho começar. 

Agora imagina quem trabalha em áreas com maiores concentrações de empresas, áreas mais nobres da cidade (e nas quais as pessoas não moram perto justamente por serem caras)? As pessoas que demoram mais de hora para se deslocar passam a ganhar esse tempo para acordar um pouco mais tarde, ou fazer um exercício. E com isso a produtividade aumenta.

Antes as empresas tinham receio de fazer isso, por não ter controle sobre o funcionário o tempo inteiro, mas a pandemia obrigou muitas delas a instituírem o home office forçadamente. E tem funcionado. Claro que tem o fato de as reuniões online terem aumentado, mas faz parte nesse momento que vivemos.

Quando voltarmos para o escritório, seguiremos no esquema 3 x 2. Funciona super!

mundo pós pandemia

É preciso ser flexível e ter planos B, C, D, E até Z.

Uma postura muito comum na minha vida é sempre observar o pior cenário possível. 

Isso não é ser pessimista, é estar preparado para o pior caso ele venha a acontecer. Claro que ninguém quer que isso aconteça, mas existem coisa que fogem completamente do nosso controle – e o COVID19 veio aí para mostrar isso para a gente. O segredo é sempre planejar para que tudo aconteça bem, mas já saber o que fazer caso algo não saia como o planejado.

Uma pandemia não estava nos planos nem dos mais pessimistas dos seres (sério, nem Nostradamus fez profecias sobre pandemia), mas ela mostrou o quanto as empresas e sistemas estavam “engessados”. E quem não se adaptou se perdeu.

Vamos dar um exemplo de uma franquia gigante, a liga americana de basquete, a NBA. Em março eles puxaram o freio e postergaram todas as partidas no meio da temporada, quando dois jogadores de um dos times testaram positivo para COVID-19. Alguns defendiam que a temporada tinha que acabar, outros falaram que tinham que continuar. Resolveu-se então que em junho trariam uma posição sobre o que seria da temporada 2019-2020, afinal não tinham nem decidido os finalistas (e com a morte do Kobe Bryant no começo do ano o peso de honrar o esporte ficou ainda mais latente).

O campeonato continuou no jogo de videogame, como contei aqui, mas em maio a NBA anunciou que a temporada iria continuar… na Disney. Para quem não sabe, a Disney World tem um complexo esportivo gigante, e decidiu-se criar a NBA Bubble, onde todos os jogadores, equipe técnica e afins ficaria ali “confinada” e o campeonato continuaria com 22 times e nenhuma torcida. Os testes começaram em junho para os atletas dos times qualificados, em julho eles começaram a chegar em Orlando e dia 30 de julho a temporada voltou.

Todas as pessoas dentro da bolha são testadas todos os domingos. E pela quarta semana seguida não teve um caso sequer positivo entre as mais de trezentas pessoas da bolha. Um feito impressionante!

O cronograma da NBA na bolha | Imagem: reprodução

A NBA e os times estão faturando o mesmo que uma temporada “normal”? Claro que não. Só o fato de não ter venda de ingressos já representa uma queda de faturamento, sem contar todas as coisas que existem para comércio dentro de cada ginásio, como lanchonete, lojas e bares. Por outro lado, as vendas de mercadorias dos times da “bolha” continuaram, além de as pessoas terem assinado o aplicativo NBA League pass para ver todos os jogos (nem todos foram transmitidos por emissoras de TV) e com isso os times passaram a ter essa renda das transmissões também. 

Agora esqueçamos o valor monetário, vamos falar de outra coisa que não se mede em cifras: referência. A NBA foi a primeira a fazer algo pioneiro, que muita gente acreditou que não fosse dar certo (e eu me incluo). Mas deu e vem dando. Tanto que a Champions League copiou o molde e fez o campeonato em Lisboa.

Mas eu não estava preparado e agora?


Um aviso pra você: ninguém estava.

Nem a pessoa mais pessimista do universo estava preparada para uma pandemia em 2020. Nós ainda somos privilegiados, já que nossa área segue ilesa – muito pelo contrário, a área de jogos não para de crescer e o suficiente para sermos falados no Le Monde ou e no New York Times

Mas é claro que sentimos o impacto, já que a gente teve que aprender a lidar com um novo cenário sem nenhum aviso prévio Aqui na GamePlan, por exemplo, nós tivemos que lidar com o cancelamento de eventos importantes dez dias antes do embarque – e ter que reorganizar toda o planejamento de clientes que estariam nesses eventos com a gente.

O que aprendemos com o COVID-19? Primeiro de tudo: ter flexibilidade é necessário. A gente trabalha em um ramo que é dinâmico, e isso se tornou ainda mais importante em 2020, o ano onde todos os nossos planos foram cancelados ou alterados. 

A segunda coisa é: esteja planejado para um tombo. A gente infelizmente não vive num mundo onde tudo está bem o tempo inteiro, então temos que conseguir sobreviver nos tempos mais difíceis. Se você nunca planejou uma reserva para um período de baixa, agora é a hora, principalmente se você estiver com o financeiro em dia.

E em terceiro fica a dica: pense fora da caixa. Se a NBA conseguiu montar um campeonato conseguindo convencer 22 franquias a irem ficar isoladas em uma bolha por pelo menos 40 dias, o que você não consegue fazer para contornar uma situação adversa? Claro que entendemos que dinheiro acaba sendo um fator limitante ou impeditivo, mas certas coisas você consegue mudar com pouco ou nenhum investimento.
Espero que essas dicas tenham ajudado vocês a continuarem ou a repensarem as suas ações. Isso vale tanto para a sua empresa ou para seus projetos pessoais.

Abraços

Imagens por William Iven e Pexels no Pixabay

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Daniele Polis

Já passou por muitas áreas - produção, community management e marketing. Hoje é especialista em negócios na GamePlan. Ama viagens, sorvete, jogos casuais e sapatos - não necessariamente nessa ordem.

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Desde 2014, a GamePlan é o destino para desenvolvedores, publicadoras, empreendedores e empresas da indústria de jogos que estejam atrás de Desenvolvimento de Jogos (serious games, co-desenvolvimento internacional, e jogos autorais), Gamificação, Desenvolvimento de Ecossistemas.

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