Trilha Sonora, OST, Musiquinha de jogo… Há diversos nomes para caracterizar algo tão integral na experiência sinestésica do jogador e que muitas vezes passa despercebido. É estranho, né?
A evolução da trilha sonora de videogames e de toda a sonoplastia dos jogos é absurda até mesmo pra quem acompanha a indústria há muito tempo… Tempo o suficiente pra ter vivido nessa época de transição ao deixar de ser feita em MIDI e finalmente chegar nos instrumentos clássicos.
O papel da Música nos Jogos
A música sempre teve um peso enorme para ajudar a aflorar a personalidade de um jogo é é essencial para a imersão do jogador em um determinado jogo ser completo. Seja com jingles animados para um Overworld, uma valsa serena para as temidas fases aquáticas ou o tema daquele rival desgraçado criado para ser o alvo de ódio por parte dos jogadores.
Essas mulheres e homens trabalhando como compositores deram o sangue, lágrimas e muito suor para criar sons e canções memoráveis que muita gente, como eu, leva no coração até hoje e eu gostaria muito de reservar um espaço aqui, entre um post e outro, para contar as minhas histórias relacionadas à música de jogos e também a dessas pessoas que tanto contribuíram para a minha formação como ser humano.
Grandes nomes da sonoplastia
Eu quero reservar esse espaço para celebrar essa área, exaltando nomes já conhecidíssimos no imaginário de qualquer gamer come Yasunori Mitsuda, Yoko Shimomura, Frank Klepacki, Dave Wise, Manami Matsumae…. Mas também resgatar e celebrar nomes não tão presentes assim na discussão sobre trilha sonora de jogos, como o Masashi Kageyama ou até mesmo o Nobuyuki Hara.
O trabalho destes compositores era simplesmente monstruoso. Durante a era 8 bits principalmente. Lidar com as limitações de Hardware e, principalmente, limitação de espaço nos cartuchos, eram coisas que estes profissionais lidavam constantemente no dia a dia durante os primórdios e isso sempre foi muito fascinante pra mim.
Saber que o Game Boy, com apenas 03 (TRÊS!!!!) canais de som com pouquíssimo espaço alocado para a trilha sonora, foi capaz de produzir músicas incríveis como essa do Smurf’s Nightmare (de um jogo dos Smurfs, mano…. SMURFS!), criada pelo fenomenal Alberto Jose Gonzales, ou esse tema do duelo contra os Grand Masters no Pokémon TCG , criada pelo fenomenal Ichiro Shimakura (RIP, Hudson…. 🙁 ) é digno de exaltação por ser um pequeno milagre na indústria.
Notas em códigos – o porquê da música ser tão importante.
A criatividade exigida para traduzir notas musicais em pedaços de códigos é algo que sempre me fascinou. Compor para videogames é um processo tão contra-intuitivo de se fazer música e talvez seja por isso que eu tenha me apegado tanto a esse estilo especificamente. É uma música que deve aflorar algumas características específicas do que está acontecendo no jogo sem ser intrusiva o suficiente pra ficar no caminho entre jogador e jogo, quebrando assim a imersão que ela se propõe a realçar. É uma linha muito tênue.
A primeira memória que eu tenho clara na minha cabeça referente à trilha sonora de jogos é da fase 1-1 do Super Mario Bros, para nintendinho. Meus pais tinham um famiclone da Dynavision, chamado Phantom System, e minha mãe jogava “comigo” quando eu ainda era bebê. Na verdade eu só assistia ela jogar, né.
Claro… É muito clichê falar que o tema do Mario marcou minha vida, mas fazer o quê? Foi de fato uma das primeiras músicas de videogame que eu ouvi na vida. E você? Quais foram as músicas de games que mais marcaram a sua vida?
Eu não canso de pensar sobre a importância da trilha sonora nos jogos. Ela é e sempre foi a peça mais importante para minha imersão em qualquer jogo e provavelmente essa percepção veio jogando Donkey Kong Country 2. DKC 2 tem uma trilha sonora, pelo lendário Dave Wise, que dispensa introdução, mas, MANO… A música Forest Interlude me fez perceber o quanto que a experiência que eu tive com o jogo permaneceu comigo mesmo depois de finalizá-lo.
A escolha dos instrumentos sampleados no jogo, a melodia da música, até mesmo os efeitos sonoros dos fantasmas, principalmente dos Ghost Ropes e dos outros inimigos presentes ali, tudo contribuiu pesadamente para que eu finalmente percebesse que eu estava diante de um dos jogos mais marcantes da minha vida. É, eu sei… É uma parada bem louca, mas minha cabeça funciona dessa maneira.
É muito difícil transcrever com poucas palavras algo que é tão intrínseco a mim, então eu vou continuar em outros posts a falar sobre música. Mas não pensem que eu abandonei os posts de Business Intelligence, não! Logo mais tem post novo com conteúdo de B.I.!
Enfim. Obrigado por me ouvirem ou me lerem até aqui.
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