o design no game design

O Design no Game Design – Parte 1

Quando se fala da Indústria de Jogos e de quem trabalha nela, é comum haver uma associação direta com a Criatividade, Inventividade, Inovação e Expressão. Trabalhar com jogos, especialmente quem está começando ou olhando de fora, é um sinônimo de conseguir tirar do caderninho de ideias todos aqueles momentos incríveis e propostas fantásticas que jamais foram feitas e que vão abalar as estruturas do mundo dos games.

No topo disso está a posição do Game Designer.

Se a maioria das outras funções de uma equipe de desenvolvimento de jogos parecem ter um foco bastante concreto e tangível (o programador implementa o código; o ilustrador faz artes de personagens e cenários; o sonoplasta faz a composição das músicas e efeitos sonoros, etc), o Game Designer adquire uma aura quase mística de ser a mente criativa por trás do projeto, a figura de decisão sobre o que vai acontecer naquele mundo e qual o direcionamento que o trabalho das outras áreas irá adotar.

Essa visão utópica é uma entre várias falácias presentes na visão sobre o Game Designer.

O primeiro aspecto a se quebrar é a intangibilidade da atuação do Game Designer. Se cada pessoa na equipe de desenvolvimento possui sua função específica, com entregáveis bem definidos e uma noção concreta do que é aceitável ou não de acordo com parâmetros, o Game Designer não seria diferente.

No caso do Game Designer esses entregáveis são soluções para se atingir os objetivos do projeto, entregues na forma de artefatos utilizáveis pelo jogo (como um Nível, um Sistema, uma Mecânica, Narrativa, Conceito de Experiência, etc). E não, não são ideias para o projeto, mas de fato soluções, já que antes de ser uma função plenamente criativa, estamos falando de um Designer por definição.

O Design é um conceito com muitas definições incorporadas, mas que pode ser simplificado como um projeto ou concepção de um produto com objetivo de solucionar um problema específico. Designers são, por excelência, solucionadores de problemas natos. Buscam em suas áreas de conhecimento, e normalmente nas áreas de conhecimento dos clientes, maneiras de resolver uma questão apresentada com as ferramentas que têm em mãos.

Dito isso, o Game Designer não foge à essa regra. Posteriormente podemos nos aprofundar sobre os paralelos que esse profissional possui com outros Designers, e daí entender melhor sua atuação, mas por hora o ponto de discussão está em esclarecer o que o Game Designer soluciona afinal?

Enquanto outros tipos de aplicações e projetos possuem um objetivo externo, normalmente de solucionar uma dor de alguém, os Jogos (quando não estamos falando de Serious Games) são profundamente frívolos e autotélicos, ou seja, não possuem relevância real e têm um fim em si mesmo, em acordo com as definições de jogos clássicas vindas desde Huizinga e Caillois.

Assim, um jogo precisa encontrar propósitos e questões à serem solucionadas internamente à seus próprios dilemas e questões levantadas. Derrotar um Chefão, resolver um Quebra-Cabeças, encontrar um objetivo perdido.

Nada disso possui uma real dificuldade em um mundo totalmente criado por alguém que poderia apontar uma seta vermelha para a solução e dar o trabalho por encerrado. O desafio do Game Designer não é criar as soluções otimizadas para problemas, tornando-os mais fáceis de serem resolvidos, mas propor alternativas interessantes para solucionar os problemas que ele mesmo criou anteriormente.

Essa afirmação fica mais clara no momento que estabelecemos o objetivo geral de um jogo: gerar uma Experiência Interativa.

Dessa forma, toda a lógica de atuação do Game Designer gira em torno da eficiência e eficácia com a qual ele consegue fazer com que seus jogadores vivam a Experiência Interativa proposta. E os problemas, assim como as soluções diversas que podem ser encontradas, partem de entender essa Experiência Interativa e como executá-la, transformando-a na questão que o Game Designer, como todo bom Designer, deve solucionar.

Agora o que são esses problemas de fato? Como eles podem ser formulados? E então como as soluções para eles podem ser elaboradas? Isso é uma discussão mais profunda que entra na compreensão da Proposta de Experiência de um jogo.


Imagem de Pexels por Pixabay

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Arison Heltami

Designer de Jogos com formação multidisciplinar nas áreas de UX Design, Gestão de Projetos, Programação e Psicologia Cognitiva, aplicadas com foco em experiências lúdicas digitais e analógicas.

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