A existência da imprensa de games é constantemente colocada em dúvida a respeito da necessidade de sua existência. Afinal, trata-se muitas vezes de uma prática que, atualmente, se resume a reproduzir informações de outras empresas que já encontraram na internet uma forma de divulgar suas novidades, como é o caso dos Nintendo Direct, da Nintendo, e dos State of Play, da Sony.
O exercício de tal função, inclusive, muito se assemelha às agendas praticadas do jornalismo cultural, que em vez de ir atrás de fenômenos sociais pertinentes à sua editoria, acaba se resumindo a realizar o repasse de informações e análises muitas vezes superficiais a respeito de seus objetos de cobertura. Sob tal ponto de vista, é como se a imprensa jornalística fosse uma espécie de relações públicas terceirizada, visto que se tratam muitas vezes de veículos produtores de conteúdo que se baseiam simplesmente em difundir informações de empresas terceiras.
Sendo um jornalista formado e trabalhando com a GamePlan, eu tive a oportunidade de estar de ambos os lados dessa equação e consigo afirmar: desenvolvedor indie, a imprensa de games é sua melhor amiga. Ademais, esse post até aqui é, principalmente, para você, desenvolvedor brasileiro.
Estamos no século XXI, em uma era de plena convergência digital, e o público hoje consome e confia muito mais em seus influenciadores favoritos do que em veículos de imprensa mais tradicionais — isso até o ponto em que o jornalismo de games pode ser considerado “tradicional”. De um ponto de vista prático e objetivo, pode ser compensatório utilizar tais personalidades virtuais, visto os públicos cada vez mais amplos que eles podem atingir.
Entretanto, é necessário se levar em conta os custos. Não digo nem custo-benefício, visto que uma ação bem orquestrada nesse aspecto pode fazer com que o projeto se venda quase sozinho, mas em relação a custo bruto. Um estúdio independente, como é a realidade de um número considerável dos desenvolvedores brasileiros, não consegue contar com verba suficiente para que um influenciador de alcance abrangente promova seu projeto.
Nesse caso, leva-se em conta também que eles operam dessa forma. O conteúdo produzido é feito praticamente sob encomenda. A imprensa, por outro lado, não. Eles têm, de um modo geral, um papel de divulgação intrínseco à sua existência. Enquanto os influenciadores é você que quer que eles produzam algo a respeito de seu projeto, com a imprensa a relação é oposta e são eles que anseiam por informações, novidades, para noticiarem. O custo de divulgação, então, é infinitamente menor.
Estabelecer uma boa relação com a imprensa é uma forma relativamente fácil e pouco custosa na divulgação de seu jogo. Pode parecer difícil — ou melhor, não apenas parece, é realmente bem complicado — emplacar uma IGN Brasil logo de cara, mas há uma série de veículos de considerável alcance que poderiam ser tentados como uma maneira de divulgar o seu projeto, como o Combo Infinito, Drops de Jogos ou o Critical Hits. Vários veículos publicando sobre seu jogo serve para legitimar e expandir a presença do jogo na própria internet, indexando melhor para resultados mais objetivos em uma pesquisa do Google, por exemplo.
O principal trunfo do desenvolvedor brasileiro, inclusive, é que a imprensa nacional adora um produto feito dentro de seu próprio território. É claro que você muito provavelmente receberá o rótulo de “indie brasileiro” em toda e qualquer menção que a ele for feita, mas ainda acaba servindo de publicidade e ajudando na criação de uma comunidade BR engajada. Apesar de às vezes soar negativo, um produto de qualidade ou, no mínimo, identidade, consegue, eventualmente, superar esse estigma.
Dessa maneira, é importante pensar em estratégias de marketing que consigam envolver esse tipo de mídia off-line em seu escopo. Para tal, torna-se fundamental, então, uma boa lista de mailing que consiga atingir nomes importantes do jornalismo brasileiro de games, bem como a manutenção da relação entre o produtor e a imprensa através de bons press releases que consigam atiçar o interesse dos veículos para publicarem mais a respeito ao ponto de, eventualmente, chegar ao ponto de ser solicitado para dar entrevistas, por exemplo. Só que isso é assunto para outro dia.